Equipe Williams, uma das maiores vencedoras da história da F1, mas que com anos entrou em fase decadente e tenta se reerguer até hoje na categoria

 

William F16, modelo usado em 1994, o mesmo que Ayrton Senna sofreu seu acidente fatal (Reprodução)

Equipe fundada por Frank Williams foi um marco na maior categoria e ficou conhecida pelo famoso "carro de outro planeta"


BRUNO DAS 

Para quem acompanha a F1 desde os anos 80 deve ter visto o sucesso que foi a escuderia Williams, um time inglês fundado por Sr. Frank Williams, mas que também passou por alto e baixos em sua trajetória. O time começou no final da década de 70.

Mas o sonho de Frank Williams começou bem antes, ainda em 1966 o visionário Sr. fundou a Williams Racing Cars. Três anos depois comprou os chassis da Brabham e chegou a F1 juntamente com seu amigo e piloto Piers Courage.

Entretanto o início foi trágico e Frank sentiu uma terrível perda em 1970, quando seu amigo e piloto Piers Courage, num chassi de um carro De Tomaso sofreu um acidente fatal em Zandvoort. Isso porque na época o De Tomaso tinha um chassi feito totalmente de magnésio, e após uma quebra na suspensão o piloto perdeu o controle do carro e bateu violentamente virando uma bola de fogo (história semelhante ao que contamos aqui no blog sobre a morte de Jo Schlesser num post anterior), mas Courage morreu porque um pneu acertou sua cabeça, segundo aponta peritos, isso abalou profundamente Frank Williams, mas o sonho do dono de equipe não se acabou ali.

Frank Williams foi o fundador do time 



Uma vez, Frank tentou pagar uma dívida entregando o próprio relógio de pulso! Mas com muita disciplina e força de vontade, Williams conseguiu crescer e transformou sua equipe numa das potências da Fórmula 1. Frank Williams teve uma importância muito grande, que até recebeu da Rainha Elizabeth a honraria de cavaleiro da Coroa Britânica.

Em 1973 Frank se associou ao construtor italiano Iso, depois, em 1975, construiu seu próprio carro, mas no ano seguinte se associou a Walter Wolf para seguir operando na F1. Em 1977 Frank anuncia a Williams Grand Prix Engenheira surgiu definitivamente, numa sociedade entre Frank Williams e Patrick Head.

Patrick Head e Frank Williams quando fundaram a equipe



No começo o time teve forte apoio de patrocinadores sauditas e teve sua primeira vitória com o piloto Clay Regazzoni em 1979 no GP da Inglaterra. O primeiro título veio no ano seguinte (1980) com Alan Jones através do modelo FW07.

Em 1982 o time conta os poderosos motores turbo e foi campeão com Keke Rosberg. Em julho de 1983, Frank Williams resolveu presentear o jovem Ayrton Senna com um teste no circuito de Donington Park.

Ayrton Senna em seu primeiro teste na F1 na equipe Williams em 1983 (Reprodução)



O brasileiro de 23 anos quebrou o recorde da pista para carros com motor aspirado, mas Frank não tinha vaga para ele em 1984. A equipe voltou ao rumo das vitórias após uma parceria forte com a Honda na categoria. Em 1985 a equipe venceu as últimas três corridas da temporada.

Em 6 de março de 1986, Frank Williams sofreu um acidente de estrada após sair de um teste em Paul Ricard em que o Nelson Piquet (que era o piloto da equipe) estava testando novo carro, o acidente de carro de Frank o deixou paraplégico, preso em uma cadeira de rodas até o fim de sua vida. Mas isso não o impediu de continuar gerenciando o seu time mas a princípio ficou afastado para recuperação.

Nelson Piquet acabou sendo tricampeão na Williams em 1987 num ano bem difícil (Reprodução)



Em 1986 o time estava de forma interna com seus dois pilotos (Nelson Piquet e Nigel Mansell) em pé de guerra, isso porque o brasileiro foi contratado como primeiro piloto do time, mas Patrick Head queria Nigel campeão a qualquer custo, isso se deve ao fato de o time ser totalmente inglês, Mansell era britânico e isso agradava o time, apesar de Nelson já ter sido um bicampeão com (na Brabham) no final daquela temporada os dois numa briga interna um contra outro acabaram perdendo o título para Alan Prost (McLaren).

Em 1987, apesar de no começo da temporada ter sofrido um terrível acidente em Ímola na Tamburello (mesma curva que matou Ayrton Senna anos depois), Nelson Piquet usou a estratégia e foi bem mais inteligente que Nigel Mansell e se sagrou tricampeão. Era Nelson Piquet contra o time inteiro da Williams, depois o brasileiro no ano seguinte foi para a Lótus.

Em 1994 o time estava formado por Ayrton Senna e Damon Hill (Reprodução)



Nos anos seguintes, a Williams se tornou uma equipe coadjuvante sem grandes resultados expressivos, num tempo em que a McLaren dominava com Ayrton Senna é Alan Prost. Só voltou a ser competitiva com a chegada dos propulsores da Renault. 

Na virada para os anos 1990, com Patrick Head e Adrian Newey revolucionando a F1 por intermédio da eletrônica, a Williams se tornou, como disse Ayrton Senna, "de outro planeta", ganhando os títulos de 1992 (Mansell) e 1993 (Prost).

Alan Prost conquistou seu tetracampeonato em 1993, depois se aposentou (Reprodução)



Ayrton Senna queria a todo o custo correr na Williams em 1994 e isso acabou acontecendo, pois com a aposentadoria de Alan Prost e não tendo mais Nigel Mansell que saiu no final de 92 após o conquistar o único título, a escuderia previa um domínio avassalador com Senna, mas infelizmente o brasileiro como algumas pessoas próximas ao tricampeão disseram teve um "tremendo azar".

Quando Senna "embarcou" na Williams o regulamento para aquele ano foi mudado e o time que era de longe o mais avançado com relação aos times foi o mais afetado com as mudanças e o brasileiro sofreu com isso, tendo que recorrer a sua "reserva de talento" para conseguir fazer o monoposto ser ao menos competitivo, pois o carro era veloz mas difícil de pilotar como Senna o descreveu, muitas vezes crítico.

Ayrton Senna vendo detalhes de como era o volante do FW16 da Williams (Reprodução)



Com problemas aerodinâmicos, Senna teve dificuldades, e uma quebra da coluna de direção causou o acidente fatal do brasileiro, em Imola. Frank chegou a ser indiciado, mas foi absolvido juntamente com Patrick Head e Adrian Newey (ambos que projetaram o carro que Senna sofreu o acidente fatal), sendo que o último atualmente está na Aston Martin e fez os carros vencedores da Red Bull.

O time teve um novo período sem vitórias depois que a Renault deixou a F1 em 1997, mas um acordo com a BMW devolveu a competitividade à equipe. No período, o time promoveu promessas como Jenson Button e Juan Pablo Montoya, que esteve perto do título de 2003 mas fracassou. A vitória do colombiano foi a última da parceria com a BMW, no fim de 2004.

Equipe Williams foi a primeira e última equipe de Senna na F1 (Reprodução)



Em 2012 o time ganhou uma sobrevida com a vitória impensável naquele ano de Pastor Maldonado. Mas mesmo assim o time naquele ano estava bem abaixo das espectativas de brigar por títulos e vitórias.

Filha de Frank, Claire Williams passou a comandar a equipe, que, em 2014, mostrou um renascimento no começo da era dos motores híbridos. Conquistou sua última pole, com Felipe Massa na Áustria, e foi terceira colocada nos Mundiais de Construtores de 2014 e 2015. Depois, porém, a queda foi acentuada.

Depois o time caiu drasticamente marcando apenas alguns pontos e chegando a ficar uma temporada zerada em 2019. O time que após a aposentadoria de Felipe Massa em 2017 decaiu ainda mais.

Em 2020, quando o fundo de investimentos americano Dorilton Capital comprou o time. A promessa é que a transição de administração seria feita de forma suave, sem que as tradições fossem perdidas. Inclusive, com a manutenção do nome da segunda maior vencedora do Mundial de Construtores, com nove, só atrás da Ferrari (16).

Frank Williams morreu em 28 de novembro de 2021, aos 79 anos de idade após ficar internado em um hospital em Surrey. Apesar de a família Williams não mandar mais no time, o acordo com os acionistas é manter o nome no time e ainda uma pequena parte de ações continua na escuderia.

Frank Williams morreu aos 79 anos em 2021 (Reprodução)



DETALHES

A Williams foi nove vezes campeã do Mundial de Construtores, em 1980, 1981, 1986, 1987, 1992, 1993, 1994, 1996 e 1997. O time ainda foi sete vezes campeão do Mundial de Pilotos: 1980 (Alan Jones), 1982 (Keke Rosberg), 1987 (Nelson Piquet), 1992 (Nigel Mansell), 1993 (Alain Prost), u1996 (Damon Hill) e 1997 (Jacques Villeneuve).

A Williams tem uma ligação forte com o automobilismo brasileiro. Ainda em 1972, antes de se tornar definitivamente construtor, Frank Williams trabalhou com José Carlos Pace. Já com sua equipe consolidada, teve como pilotos Nelson Piquet (1986-1987), Ayrton Senna (1994), Antonio Pizzonia (2004-2005), Rubens Barrichello (2010-2011), Bruno Senna (2012) e Felipe Massa (2014-2017).

Passado alguns anos do acidente fatal de Senna, finalmente o que sobrou do FW16 foi devolvido a Williams após ficar anos apreendido pela justiça italiana. De imediato, Frank Williams mandou destruir aquele carro e muitos até hoje acreditam que Frank sente culpa de Senna ter morrido em um de seus carros.

Após o acidente fatal de Senna, os carros da Williams tinha o S em seus bicos por ordem de Frank, mas após a aquisição dos novos acionistas este S foi tirado do carro (Reprodução)


Atualmente o carro da Williams é assim na F1 



Fonte: MEMORY NEWS e GE

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